
O fim da escala 6x1 deixou de ser discussão e virou prazo. Em 14 de outubro de 2026, o Senado aprovou em dois turnos, por 75 votos a 1, a PEC 221/2019, que já tinha passado pela Câmara em maio. A jornada máxima cai de 44 para 40 horas semanais, o trabalho passa a ocupar no máximo cinco dias por semana e o salário não pode ser reduzido. O texto segue para promulgação.
Para um hotel ou pousada, que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, a mudança mexe direto na escala da recepção. Entidades como a ABIH Nacional, a ABIH-RN e a FBHA já alertaram para a necessidade de novas contratações e para o aumento de custos. Neste guia, veja o que muda e quando, faça a conta de quantas pessoas cada posto precisa e use um modelo de escala com 40 horas como ponto de partida.
O que muda com o fim da escala 6x1
- Jornada semanal: cai de 44 para 42 horas dois meses depois da publicação da emenda e chega a 40 horas a partir do 14º mês;
- Descanso: passam a ser dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente no domingo, sem obrigação de serem seguidos;
- Dias de trabalho: no máximo cinco por semana. A escala 6x1 deixa de existir;
- Jornada diária: continua em até 8 horas, com compensação ou redução possíveis por acordo ou convenção coletiva;
- Salário: não pode ser reduzido por causa da mudança.
Segundo a análise da CNI, domingos e feriados continuam permitidos nas atividades autorizadas, como a hotelaria, desde que respeitados os limites e os dois descansos. Descanso ou feriado trabalhado sem compensação deve ser pago em dobro, e o banco de horas segue valendo nas regras da CLT e das convenções coletivas.
Dois pontos ainda dependem de definição. A escala 12x36, comum na portaria e na recepção noturna, não tem tratamento claro no texto. E as medidas de transição para MEI e micro e pequenas empresas ficaram para uma lei complementar. Por isso, confirme o texto promulgado e a sua convenção coletiva com o contador antes de fechar a nova escala.
Por que a recepção 24 horas sente primeiro
Um posto que nunca fecha precisa de 168 horas de trabalho por semana: 24 horas vezes sete dias. Sem contar férias e faltas, a conta fica assim:
- Recepção 24 horas, uma pessoa por vez (168 horas por semana): 3,8 pessoas com jornada de 44 horas, 4,0 com 42 horas e 4,2 com 40 horas;
- Recepção das 7h às 23h (112 horas por semana): 2,5 pessoas com 44 horas, 2,7 com 42 horas e 2,8 com 40 horas.
Some a isso as férias, que tiram cada pessoa da escala por um mês no ano, e o custo da hora. Quem passa de 44 para 40 horas com o mesmo salário fica com a hora cerca de 10% mais cara, o que também encarece a hora extra. Não por acaso, a ABIH-RN fala em pressão sobre as margens e em possível repasse ao hóspede.
Modelo de escala sem a escala 6x1 para um posto 24 horas
O modelo abaixo cobre um posto de recepção 24 horas com três turnos de 8 horas: manhã (7h às 15h), tarde (15h às 23h) e noite (23h às 7h). São quatro recepcionistas com cinco turnos e duas folgas cada e um folguista, que cobre um turno por semana neste posto e completa a carga em outro posto ou setor.
- Recepcionista A (manhã): segunda a sexta, das 7h às 15h. Folga sábado e domingo.
- Recepcionista B (tarde): quarta a domingo, das 15h às 23h. Folga segunda e terça.
- Recepcionista C (noite): sexta a terça, das 23h às 7h. Folga quarta e quinta.
- Recepcionista D (rodízio): tarde na segunda e na terça, noite na quarta e na quinta, manhã no sábado. Folga sexta e domingo.
- Folguista: manhã de domingo.
Assim, os 21 turnos da semana ficam cobertos, ninguém trabalha mais de cinco dias e todos têm pelo menos 11 horas entre um turno e outro. Faça rodízio das folgas de domingo ao longo do mês. O modelo é ponto de partida, não escala pronta para assinar: o intervalo de descanso dentro de cada turno precisa de cobertura, e o turno da noite tem hora noturna reduzida e adicional noturno (CLT, arts. 71 e 73). Ajuste com o contador.
Como reduzir a pressão sem piorar o atendimento
A recepção 24 horas existe por segurança e acolhimento, e a tecnologia não a substitui. O que ela faz é tirar do balcão o trabalho repetitivo, para que uma escala com menos horas por pessoa dê conta:
- Atendimento fora do horário de pico: preço, disponibilidade, como chegar e horário do café podem ser respondidos pela IA no WhatsApp, inclusive de madrugada. A recepção noturna fica para quem está no hotel;
- Orçamento e pagamento sem passar pelo balcão: quem pede preço às duas da manhã recebe o orçamento com link de pagamento na hora;
- Mensagens repetidas no automático: confirmação, pré-chegada e pedido de avaliação saem sozinhos com automações;
- Registro do hóspede adiantado: com a FNRH digital preenchida antes da chegada, o check-in fica mais curto;
- Equipe onde a demanda está: reforce a escala nos horários de maior giro de check-in e check-out e use um checklist de recepção para padronizar o atendimento.
Checklist para os 60 dias depois da promulgação
- mapeie todos os postos que funcionam à noite e nos fins de semana;
- faça a conta de horas por posto e veja onde falta gente;
- converse com o contador e confira a convenção coletiva da sua região: 12x36, banco de horas e domingos;
- redesenhe a escala e comunique a equipe com antecedência;
- revise o orçamento de 2027 com o custo da hora mais alto;
- tire do balcão o que pode ser digital.
Perguntas frequentes sobre o fim da escala 6x1
Quando o fim da escala 6x1 começa a valer?
As novas regras contam a partir da publicação da emenda. Dois meses depois, a jornada cai para 42 horas e entram os dois dias de descanso. A partir do 14º mês, a jornada chega a 40 horas. Até a publicação, valem as regras atuais.
A escala 12x36 vai acabar?
O texto não deixa isso claro, e a análise deve ser feita caso a caso. Como a 12x36 é comum na portaria e na recepção noturna, trate o tema com o contador e o sindicato antes de mudar.
Posso reduzir o salário junto com a jornada?
Não. A PEC proíbe a redução de salários e de pisos salariais por causa da mudança de jornada.
Pequenas pousadas terão regra diferente?
Uma lei complementar ainda vai definir medidas de transição para MEI e micro e pequenas empresas, condicionadas à manutenção dos empregos. Até lá, acompanhe a regulamentação.
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Fontes: CNI, "PEC 221/2019: entendendo as mudanças na jornada e escalas de trabalho", 15/10/2026; Migalhas, "Senado aprova fim da escala 6x1 e redução da jornada de trabalho", 15/10/2026; Panrotas, "Fim da escala 6x1: ABIH-RN também alerta para aumento de custos na hotelaria", 15/10/2026. Este conteúdo não substitui orientação contábil e jurídica.